Pular para o conteúdo principal

Geração Y

Eles são contratados como estagiários mas vão te impressionar de imediato com o uso pessoal que fazem das novas tecnologias de comunicação, aliás todos possuem o último modelo de iPhone.
Quando o assunto de uma reunião for sobre as redes sociais você verá que todos utilizam uma nova rede ainda não popularizada, mas ainda assim utilizam o Twitter e o Facebook, sendo natural que possam estruturar e administrar fanpages de qualquer tipo de operação de negócios ou entidades, afinal eles encaram o uso das tecnologias com naturalidade e te fazem acreditar que já nasceram conhecendo tudo que precisa saber sobre marca.

Você ficará estupefacto com tamanha desenvoltura e perceberá que pode dispensar todos os seus assessores analógicos, caros e ultrapassados, afinal a garotada o convenceu que você está fazendo tudo errado e que sua companhia está condenada ao extermínio.

Então você toma a sua grande decisão depois do churrasco de domingo.
Na segunda-feira pela manhã avisa a secretária para mandar o novo estagiário direto para sua sala, será uma surpresa total, um cargo de assessor e um bom salário logo de saída.

Em menos de meia hora a secretária retorna dizendo que o estagiário enviou mensagem avisando que não virá mais à empresa, pois decidiu abrir um bar na Cidade Baixa com um colega da faculdade e que vai se dedicar integralmente ao novo projeto.

Você diz que está tudo bem e fica pensando com seus botões que deveria ser mais esperto para um cara da sua idade, tudo bem que a Geração Y não fosse tudo o que parecia ser na primeira impressão, afinal existe este impulso generoso de acreditar nos jovens.

Mas da próxima vez você agirá com mais ceticismo, melhor para todos, inclusive para os garotos que aparecerem para os estágios, pois você terá mais interesse em saber outras coisas a seu respeito, se ele faz parte de algum grupo de atividades, se gosta de jogar futebol, se têm irmãos mais novos e quem são as pessoas que ele mais admira.
E uma perguntinha básica: por que ele escolheu fazer estágio na sua empresa?

Você voltará a lembrar das coisas que separam os meninos dos homens.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Neca e Eu

Meu casamento desafia a projeção de durabilidade dos matrimônios nacionais, dez anos e meio segundo estudo do IBGE, pois eu e a Neca estamos juntos há vinte e cinco anos. Mais do que isto, a gente trabalha na mesma empresa há quinze, um relacionamento full time. Quem nos conhece separadamente, sem saber que somos casados, dificilmente iria imaginar uma relação entre duas pessoas tão diversas. Quanto menos tão duradoura como a nossa. Entretanto, quem convive com o casal não chega a estranhar esta combinação que, este ano, conquista suas Bodas de Prata. Pela primeira vez exercito e registro de forma mais pública uma reflexão sobre nossa aparente incompatibilidade de estilos e o porquê de tanta diferença sobreviver em harmonia. A Neca é obstinadamente disciplinada na busca dos seus objetivos, intolerante com a perda de tempo na resoluções cotidianas, do conserto da torneira do banheiro até quaisquer demandas que envolvam nossa empresa ou a vida familiar. Mas também é uma manteiga derretid...

Pobreza Educativa

Pobreza Educativa é uma brincadeira particular que eu e o Pablo, meu filho, criamos para dar um sentido mais otimista à falta de dinheiro. Por exemplo, se ele pedir um par de tênis como presente de aniversário e eu comprar uma marca diferente da sua preferência, ao invés de frustração e sorriso amarelo a gente acaba dando boas risadas da situação. Moral da história, nem sempre é possível presentear com aquele Nike de última geração, mas com espírito criativo sempre é plausível de encontrar um Acics bem maneiro. Com a diferença de investimento ainda dá para bancar aquela saída e jogar uma sinuquinha. No final das contas, é possível economizar um bom dinheiro sem abrir mão das cevas e das fritas. Claro que isto funciona com o Pablo, uma criatura que já nasceu madura e consciente da vida como ela é. Ser meu filho é uma experiência e tanto. A partir da idéia de viver de acordo com aquilo que se pode sem fazer dramas, nos divertimos analisando quase tudo a partir do filtro da Pobreza Educat...

Zica

Alguém aí sabe porque a gente chama uma fase desgraçada de zica ? Às vezes parece que as conexões externas se combinam de baixar um verdadeiro conjunto de ações terroristas contra nossa pobre condição humana. Nem estou falando de eventos radicais do tipo ficar preso em uma mina escura e abafada, sob seiscentos e cinquenta metros de terra e pedra, por quase três meses. Refiro-me à conjunção das pequenas e médias encrencas que alcançam nossas vidas sem considerar quanto organizados e previdentes possamos ser. A tal zica . Pois eu estou transpondo uma zica caprichosa no exato momento em que posto esta mistura de desabafo e reflexão sob à tormenta braba. Um entrevero de eventos desafiadores me acomete feito um ataque de abelhas, uma experiência que postulo apenas como metáfora e sem nenhum desejo de provar, afinal nem preciso deste adicional ao meu purgatório particular. Enfim, digo isto para me confortar e quem sabe confortar algumas almas amigas que eu sintonize por este canal, imersas ...