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A vida como ela é



A escritora Pamela Druckerman é uma norte americana de meia-idade, charmosa em seu estilo contemporâneo e que, por conta do seu sucesso profissional, decidiu viver em Paris.
Jornalista consagrada ela trabalhou para alguns dos ícones da imprensa mundial, entre eles o Wall Street Journal, Washington Post, New York Times e Marie Claire.
Seus textos e pesquisas convergem para as venturas e desventuras da vida em família, a criação dos filhos e as questões que permeiam a infidelidade conjugal.

Em seu livro Na Ponta da Língua, de 2009, que eu ainda não li, Pamela revelou como a infidelidade casual pode ser vista sob diferentes prismas, dependendo da cultura de cada país. Ela estudou cerca de 24 países com base na observação e entrevistas com pessoas casadas, obtendo um ranking da infidelidade.
O Brasil ocupa uma discreta posição intermediária entre os países pesquisados.

Sem entrar no mérito da confiabilidade de sua pesquisa, me parece que o melhor das análises de Druckerman são os pesos e medidas que cada cultura dá ao tema.
Entre as surpresas está a alta valorização que as mulheres francesas demonstraram à fidelidade como um valor essencial ao relacionamento. Por outro lado, são menos encanadas com a pulada de cerca eventual, desde que não configure um caso.

Os russos ainda vivem uma euforia de liberdade sexual pós “perestroika”, isto faz com que acreditem mais na liberdade do que na fidelidade dos seus cônjuges.
Nos países latinos, as mulheres tendem a ser discretas na infidelidade tanto quanto as francesas, mas o motivo das latinas é diferente. Cuidam para não expor os seus parceiros como “cornos”, pois para os homens brasileiros, latinos e ibéricos, incluso os italianos, a imagem pública de traído é pior do que a própria traição.
No caso das francesas é pura praticidade, quanto mais discrição melhor.

Os mais neuróticos na constatação da autora são seus patrícios norte-americanos, eles têm uma obsessão por obter confissão e demonizam a mentirinha deslavada.
Ou seja, na cultura do Tio Sam, mentir é pior que a própria traição. E o perdão até pode ser obtido se o acusado confessar tudo, em detalhes, arrependido em público.

Na China a infidelidade cresce na proporção do enriquecimento do país e lá se vê uma conexão entre atividades extraconjugais e corrupção, pois manter amantes na atual conjuntura do país é uma atividade dispendiosa.

Mas no balanço final do seu voyeurismo comportamental, Druckerman concluiu que o amor e a felicidade continuam em alta, que as pessoas gostam de ser fiéis.
Até dá uma dica bem importante, vida sexual ativa protege os casais, mas também a intimidade sem sexo é imprescindível. Quer dizer, prestar atenção ao outro, curtir sua companhia e os pequenos gestos de carícias e carinhos podem não impedir um eventual desvio de conduta, mas certamente contarão muito na sobrevivência da relação e devem diminuir a importância do evento.

Como diz a famosa frase abaixo das cabeças de gado nos CTGs: ninguém está livre.



Comentários

Anônimo disse…
viva a sacanagem em 24 países! hehehe.
belo texto.

abraço,
Pablo.