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Transformações

Há quem diga que o tempo está se escoando mais rápido.
Os motivos desta aceleração já me foram explicados algumas vezes por amigos das ciências alternativas e, em todas, acabei por não entender nada.
Mas compreendi que, se esta “teoria” for expressão de um fato e não de um delírio quântico, então nossas vidas estão se passando em alta velocidade.
Seria razoável concluir que se ganhamos alguns anos a mais de expectativa de vida, em contrapartida eles estão mais curtos do que nos bons e velhos tempos.

Desconfio que a percepção sobre a passagem do tempo começou a se alterar a partir do surgimento das grandes concentrações humanas e imprimiu sua velocidade com o surgimento do transporte aéreo.
Mas o ponto de mutação deve ter ocorrido na fusão da internet rápida e as plataformas móveis, fontes instantâneas de comunicação sem fronteiras.
Aqui e agora, sem limites de distância, com áudio e vídeo por um custo insignificante.

Agora tudo se passa a mil.
Só o trânsito é lento, a notícia é instantânea, o jantar maravilhoso do último sábado parece ter acontecido há décadas e a distância entre o amigo daqui e o que mora em Londres, é exatamente a de um clique no i-phone.
É mais fácil manter contato freqüente com quem está distante, do que rodar mínimos quilômetros para reencontrar pessoas próximas.
Fazemos muito mais coisas do que em qualquer época e estamos mais individualistas.
E do ponto de vista da velocidade, com pouco tempo pela frente.

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