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O jogo

O que mais gosto no mundo do futebol é sua similaridade com a vida cotidiana.
Assim como neste esporte, a vida é repleta de paixões e disputas que constroem ou destroem projetos pessoais, sonhos e reputações.

Mesmo quando a vida anda difícil sempre existe a possibilidade dela piorar e ser rebaixada para divisões mais pobres e infernais do que aquela onde estamos.
Assim também, por melhor que seja um momento de glórias ele tem um caráter efêmero, podendo ser virado do avesso após uma série de maus resultados.
Tanto quanto no futebol, precisamos criar uma história para nos dar consistência.
Um passado de conquistas pode nos alentar em fases de penúria e de fracassos, também nos impulsionando à reação para nos tornarmos dignos de melhores dias.

Na vida somos o presidente, o treinador, o time e o jogador, ao mesmo tempo.
Vivenciamos experiências semelhantes aos times de futebol, às vezes mostramos uma boa performance, mas falhamos na hora de fazer o gol. Diz a sabedoria das quatro linhas que quem não faz leva, e acabamos levando.

Noutras situações, mesmo com pouca qualidade e organização sofrível somos protegidos pelos bafejos da sorte e acabamos obtendo resultados positivos.

Mas é no íntimo privado que vivenciamos o perde e ganha do jogo.
Para o bem e para o mal, enfrentamos lesões e doenças, pênaltis perdidos, falhas no sistema defensivo que comprometem bons projetos e fases intermináveis de auto-estima baixa, solidão e ansiedade.

Para quem não ambiciona demais e gosta do jogo pelo jogo, sempre é mais fácil de lidar com as dissonâncias do destino, afinal ganhar e perder são as faces da moeda.
E se vencer é maravilhoso, vender caro a derrota também tem o seu sabor.

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