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Os danos reais

Haja saúde mental para suportar tanta loucura produzida em série.
Quanto mais leio ensaios literários que mergulham de forma arguta e embasada em quaisquer períodos históricos da humanidade, mais me convenço do flagelo que as pessoas comuns são submetidas diante dos experimentos criados pelos príncipes do poder econômico e os soberanos do comando político.

Não existe rede de proteção para quem deseja viver de forma simples e construir uma trajetória existencial calcada apenas em trabalho e laços afetivos comuns.
Tudo acaba adulterado, deturpado ou aliciado pelos devaneios de quem domina o tabuleiro das gigantescas movimentações de recursos humanos e materiais.
Pobres dos peões, peças sempre sacrificadas como cobaias nos experimentos.
Assim caminha a humanidade, cheia de sentimentalismos e práticas assassinas.
Acredito que somos a única espécie animal portadora de loucura inata.

Por conta dos estereótipos impostos nestas absurdas experiências coletivas são produzidas anomalias banais, como as turbas de consumidores insaciáveis, multidões de pessoas lipoaspiradas, rígidas de botox ou moldadas com silicone.
Sem esquecer dos recentes viciados em redes sociais, tietes de qualquer coisa, os vastos rebanhos de fanáticos religiosos e as hordas de fiscais do politicamente correto.

Só existe uma saída: a indiferença.
A mínima condição de felicidade privada exige certo grau de desprezo por modelos de civilização, sejam eles quais forem.

Afinal a gente tem apenas cinco por cento de chances de atingir os cem anos de idade e quase oitenta por cento de possibilidades de chegar ao setenta e cinco anos sem possuir um plano de saúde decente.
Esperar por atendimento médico nos corredores das emergências hospitalares superlotadas e emperradas da quinta maior economia do mundo, é um requinte de crueldade que ninguém merece.

Sendo que o seu Mastercard dificilmente terá crédito suficiente para evitar este pesadelo.

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