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Lá vem o chororô

Quem me conhece sabe bem.
Sou integrante daquela legião de pessoas que prefeririam saltar do dia 23 de dezembro para 03 de janeiro do ano seguinte. Sei lá, acampar em Bali, ou mais de acordo com minhas possibilidades, em uma curva bem escondida do Lajeado Grande, nos Campos de Cima da Serra.
Já conto dois dias de distância do Natal e do Ano Novo, que é para incluir a correria atrás de presentes e a ressaca da virada. Mas estarei estoicamente próximo de todo chororô desta transição, apenas um pouco mais recluso e absorto por tarefas comezinhas.

Diante dos encontros que eu não puder evitar estarei sorrindo e refletindo sobre as bênçãos contidas em qualquer copo graúdo com uísque escocês e gelo.

Brabo mesmo é aguentar o chororô de sempre, as promessas de transformação e os abraços etílicos da galera que nem gosta de você, mas aproveita cada fim de ano para confessar que te ama.
Psiquiatra de plantão deve atender ocorrências de meia em meia hora.

Então me despeço dos sete leitores que ainda me prestigiam, incluindo minha mulher e meu filho, prometendo retornar depois do dia 03 janeiro, quando faremos de conta que foi ontem que nos vimos e retomaremos nossas conversas com a naturalidade de sempre.

E ninguém babará ninguém nem revelará sentimentos escondidos, afinal a gente se dá bem mas o segredo da nossa amizade é que não somos carentes crônicos de afeto.

E para as tristezas inevitáveis, sempre haverá um uísque bom em promoção lá em Rivera.

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