Pular para o conteúdo principal

Os convidados.

Já faz algum tempo que as confrarias voltaram à moda.
De repente as pessoas resolveram cultivar o contato social ao melhor estilo clubinho e, o resultado disto, é uma confraria para cada coisa que se puder imaginar.
Do charuto. Da champanha. Do Vinho. Da Gastronomia. Até da Chopeira.
Sim, a Confraria da Chopeira. Criada pelo meu amigo Markin, um mineiro bãozinho mas que béébe, béébe. Antes que fique aqui um mal entendido, Markin não é alcoólatra, é apenas um mineiro, e mineiro que é bão, aprecia uma cachacinha digestiva, uma cervejinha diurética e um fejãozinho tropeiro.
Pois o Markin veio com a idéia, “comprei uma chopeirinha pra gente se encontrar uma vez por semana, sexta-feira, fim de tarde, lá na firma mesmo, aí a gente vai bebendo e picando uma maminha, enquanto joga prosa fora, até dei um nome pra essa mão toda, Confraria da Chopeira, bacana, né?”.
Resultado, aconteceram uns três encontros da Confraria. No primeiro ninguém foi, o Markin ficou chateado mas, com ajuda da Mara, sua mulher, comeu toda maminha e bebeu toda cerveja. Aí ficou bem e chamou todo mundo de novo.
Na segunda chamada eu compareci. O quórum estava bom.
Foi bem bacana, picamos a maminha e testamos a chopeirinha que o Markin comprou no Um e Noventa e Nove. Boazinha. Daquelas que a gente mete cerveja em um bojo e dá bombada para tomar a mesma cerveja, só que desta vez saída de uma bica.
Algo definível como chope paraguaio para festa portuguesa. Mas bem boazinha.
No terceiro encontro, a Confraria acabou. Acho que a chopeirinha do Markin também.
Nosso grupo de amigos é muito anarquista, não tem como prosperar uma confraria.
A gente gosta mesmo é de se encontrar desorganizadamente, quanto menos combina mais dá certo. Alguém liga e dá a deixa:
- Olha vai rolar uma jantinha amanhã lá em casa e estou chamando os chegados.
Ou ainda:
- A gente tá com uma carne bonita guardada no frízer e uma cachaça premiada até no estrangeiro, que ganhei de presente, aí lembrei de ocêis.
Alguém sempre pergunta, “vai chamar o Gasolina?”, e a resposta é invariavelmente, “claro, ele está enlouquecido trabalhando, mas garantiu que vem”. E vem.
O Gasolina dá uma crônica a parte. Paparazo profissional, é na verdade um índio buenaço que enterrou o umbigo em Palmeira da Missões, adora jogar sinuca e joga mal uma barbaridade, cantar no Bar do Marinho e canta pior ainda. Sem falar que no meio de qualquer show, é aquele chato que sempre pede, “canta Raul”.
Outro dia meu compadre Xoxó, e o Fonseca, meu sócio, lembravam da breve história da Confraria da Chopeira e reconheciam que, embora a Confraria não tenha se criado, nunca deixamos de nos encontrar, nos bons e nos maus momentos.
Mas como bem me explicou o Markin, “amizade é isso mesmo, as pessoas que a gente escolhe para conviver e fazer festa, deveriam ser as mesmas a estarem juntas nas horas críticas”. Disse bem, deveriam.
De resto são confrarias, pequenos prazeres cotidianos e um pouco de bom humor.

Comentários

Unknown disse…
A crônica é otima e esse mineiro ai é baozinho, mas é mintirooozzzuuu.
Tenho certeza que seus amigos sempre te proporcionarão novas e boas estórias, isso é o reflexo da boa convivência, amizades sadias, duradouras e verdadeiras. Espero que suas amizades te rendam cada vez mais causos engraçados como esse e que as pessoas possam partilhar das suas experiências através dos seus textos e conhecer um pouco do seu mundo.
Valeu, parabéns e um grande abraço.

Giu

PS: Mantenha esse blog atualizado, passarei a divulga-lo e a frequenta-lo constantemente. Vale a pena hehehehehe

Postagens mais visitadas deste blog

O Rei, o Mago, o Bardo e o Bobo.

Eles se encontraram por um breve tempo às bordas da floresta alta, nas franjas verdes do grande vale. O Rei, sempre magnânimo com todos que mostravam admiração e simpatia por suas ideias e preleções, contratou o Bobo para escrever suas memórias. O Mago que conhecia o Rei de muitas luas procurava descobrir as conexões emocionais com os novos amigos e celebrar as revelações deste encontro. O Bardo só queria levar suas canções e melodias ao coração de todos, especialmente ao do Rei, para o qual compôs uma bela ode. O Bobo amava os encontros e se divertia em pregar peças no Rei e propor charadas aos companheiros, mas também se emocionava e se encantava com os novos amigos e os seus talentos. Tudo andava de forma mágica e envolvente até o dia em que o Rei, olhou severo para o Bobo e sentenciou:  - Você distorce tudo o que eu digo, duvida de tudo que eu sigo e escreve somente a tua versão das coisas que eu lhe relato! Me sinto desrespeitado e quero que você saiba disso. A partir dali os ...

Um dia cinza

Estou na área central de Caxias do Sul.  Tomo um café na padaria da esquina e faço tempo enquanto minha mulher consulta o seu dentista.  Olhando pela janela vejo o movimento das pessoas encasacadas no dia cinza chumbo e tenho a impressão que estamos vivendo um dia gelado, perto dos 5 graus. Mas não é o que ocorre, no momento fazem amenos 15°. É interessante esta distopia entre essas  realidades, a aparente e a real. Uma metáfora diante de tantas conclusões erradas que são formuladas a partir de pontos de vista falhos. O jeito é observar melhor, não se apressar em fazer juízo de tudo. Olhar, apenas olhar, absorver a vida. E no meu caso, pedir outro café.☕

Noites de São João

Sempre gostei das festas juninas e por sorte minha esposa também. Assim, quase todos os anos, desde que casamos, participamos de uma ou mais festas juninas ano a ano, sempre às vésperas do inverno. Quando jovens elas ocorriam em locais fora da cidade, bairros distantes ou algum sítio ou chácara de alguém do círculo de amigos, a gente levava uma barraca e se instalava o melhor possível.  Foi uma época inesquecível. Juventude. Depois vieram as festas mais íntimas, amigos próximos que se reuniam em casa ou partiam juntos para festas maiores. Foi a era rock'n roll, muita bebida, cigarros e maconha. Bem antes eram as festas da infância, onde se pulava fogueira. No colégio marista eu era da equipe que buscava a lenha, outros tinham a missão de localizar e trazer o mastro central, alguns reuniam pneus velhos para colocar na base e, lá pelas 21 horas, a cidade inteira se reunia no pátio do colégio. Eram sorteadas várias rifas que os alunos vendiam, na área coberta a feira de quitutes já es...