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Noites de São João

Sempre gostei das festas juninas e por sorte minha esposa também. Assim, quase todos os anos, desde que casamos, participamos de uma ou mais festas juninas ano a ano, sempre às vésperas do inverno. Quando jovens elas ocorriam em locais fora da cidade, bairros distantes ou algum sítio ou chácara de alguém do círculo de amigos, a gente levava uma barraca e se instalava o melhor possível.  Foi uma época inesquecível. Juventude. Depois vieram as festas mais íntimas, amigos próximos que se reuniam em casa ou partiam juntos para festas maiores. Foi a era rock'n roll, muita bebida, cigarros e maconha. Bem antes eram as festas da infância, onde se pulava fogueira. No colégio marista eu era da equipe que buscava a lenha, outros tinham a missão de localizar e trazer o mastro central, alguns reuniam pneus velhos para colocar na base e, lá pelas 21 horas, a cidade inteira se reunia no pátio do colégio. Eram sorteadas várias rifas que os alunos vendiam, na área coberta a feira de quitutes já es...

O Rei, o Mago, o Bardo e o Bobo.

Eles se encontraram por um breve tempo às bordas da floresta alta, nas franjas verdes do grande vale. O Rei, sempre magnânimo com todos que mostravam admiração e simpatia por suas ideias e preleções, contratou o Bobo para escrever suas memórias. O Mago que conhecia o Rei de muitas luas procurava descobrir as conexões emocionais com os novos amigos e celebrar as revelações deste encontro. O Bardo só queria levar suas canções e melodias ao coração de todos, especialmente ao do Rei, para o qual compôs uma bela ode. O Bobo amava os encontros e se divertia em pregar peças no Rei e propor charadas aos companheiros, mas também se emocionava e se encantava com os novos amigos e os seus talentos. Tudo andava de forma mágica e envolvente até o dia em que o Rei, olhou severo para o Bobo e sentenciou:  - Você distorce tudo o que eu digo, duvida de tudo que eu sigo e escreve somente a tua versão das coisas que eu lhe relato! Me sinto desrespeitado e quero que você saiba disso. A partir dali os ...

Um dia cinza

Estou na área central de Caxias do Sul.  Tomo um café na padaria da esquina e faço tempo enquanto minha mulher consulta o seu dentista.  Olhando pela janela vejo o movimento das pessoas encasacadas no dia cinza chumbo e tenho a impressão que estamos vivendo um dia gelado, perto dos 5 graus. Mas não é o que ocorre, no momento fazem amenos 15°. É interessante esta distopia entre essas  realidades, a aparente e a real. Uma metáfora diante de tantas conclusões erradas que são formuladas a partir de pontos de vista falhos. O jeito é observar melhor, não se apressar em fazer juízo de tudo. Olhar, apenas olhar, absorver a vida. E no meu caso, pedir outro café.☕

Aniversário

 Todo ano se comemora, ou não, o acréscimo de 365 dias à própria existência. Afinal, o que se festeja? O fato de se estar vivo, acima de tudo. Não à toa, o voto mais recorrente é saúde. As redes sociais permitem que amigos distantes nos saúdem e ressurjam do oco do mundo, assim nos sentimos acolhidos e integrados a uma grande tribo de afetos. Algumas pessoas sempre lembram da data, outras que por certo gostam da gente sempre esquecem e tem aquelas que não nos apreciam e fazem questão de marcar sua ausência. Eu me relaciono com naturalidade sobre estas coisas, já faz tempo que acho natural o fato de que algumas não gostem de mim. Eu próprio tenho minhas restrições acerca da minha pessoalidade. Como disse Groucho Marx: "não faria parte de um clube que me aceitasse como sócio".😉 Enfim o tempo segue célere e vou vivendo com simplicidade e pouco dinheiro, mas grato pelo amor da mulher companheira, meu cão e meus gatos. E do meu filho, que mantém contato assíduo para que possamos ...

Velhas fotos coloridas

 Hoje aproveitei a chuva e o tempo gris para remexer nos velhos arquivos fotográficos que a Neca, minha namorada desde as Diretas Já, guarda com todo zelo e carinho. Minha busca, os amigos e os encontros com eles. E lá estavam, uma profusão de conexões, quase todas em celebrações diversas. É incrível como fazíamos festas, a vida era uma festa. E olha que problemas existiam e nunca foram poucos, mas tínhamos a juventude e o seu apetite insaciável por viver e se reunir. As fotos ainda conservam, em sua maioria, um colorido vivo impresso no papel fotográfico. Ninguém portava telefone celular, quando muito uma  câmera fotográfica ou uma filmadora. E a gente dançava, se fantasiava, ia para a praia em bando, comíamos muito, jogávamos qualquer coisa para passar as tardes de chuva enquanto alguém preparava bolinhos, sonhos, bolos e, é claro, pipoca. Bebíamos, éramos beberrões de cerveja, de batidinhas e boa parte de nós, fumava. Alguns, eu entre eles, não somente cigarros. E a gente v...

Canela minha cidade

Canela é um município de forte atuação turística, encravado no alto da Serra Gaúcha, tem belezas naturais famosas e também tem suas qualidades culturais, a exemplo de um jornal que sobrevive ao tempo, mudaram os proprietários, mas o  Jornal Nova Época, agora também na internet e nos celulares, mantém a sua versão impressa. O acervo do jornal contém milhares histórias dos canelenses, tudo em ordem cronológica por várias gerações. Memória viva. A cidade também preservou a Escola Marista, um precioso centro educacional situado logo atrás da belíssima Catedral de Pedra, além de escolas municipais bem cuidadas e com ótimo padrão de ensino. Até bons cursos superiores oferecem graduação no setor do turismo. Mas o crescimento, embora desejado, fez com que aquela cidade onde as pessoas se encontravam na rua, no dia a dia, desaparecesse. A maioria dos moradores antigos ainda mora por lá, mas exceto aqueles que mantiveram seus vínculos, o restante raramente revê amigos da escola, dos bailes n...

Esperando o Outono

Um poeta já disse que o outono é uma estação da alma, sem dúvida uma bela analogia. Mas eu gosto mesmo é do outono que esfria, que tem dias e noites de céu limpo, de uma luz especial que dá uma leveza diáfana a toda paisagem e que traz os cáquis e os pinhões. Até agora nada, parece mais um verão com ressaca e é assim mesmo, chegará no seu devido tempo e seguirá até a mudança mais radical, passando daí ao status de inverno. Gosto do inverno mas minha conexão raiz é com seu irmão mais velho, o outono. Então o espero com o ventilador ligado e o coração sereno, quando eu sentir que o ventinho está gelando as costas, saberei... - É chegado o Outono.

Cine Clube da Neca

Voltei a ter DVD. A Neca se puxou, tirou do arquivo o velho Sony e instalou na TV da sala. Tudo porque fiquei sem o aplicativo que me permitia espelhar o smartphone na telona. Um bug mundial mas o meu não voltou mais. Tevê moderna e smart somente no quarto, mas é na sala que gosto de ver filmes e também de usar internet quando trabalho no meu notebook, o sinal é mais forte. Bem, agora me sinto um pinto no lixo, pois vou rever os clássicos que nunca deixo de gostar, começo hoje com Amélie Poulain e sigo com outras preciosidades que a Neca, sempre ela, guardou com todo carinho. Mesmo recuperando meu Chromecast não vou mais desinstalar o DVD, cansei dos filmes previsíveis da Netflix e não tenho recursos para assinar vários streamings para catar meia dúzia de bons filmes. Me contento com as obras incríveis das últimas cinco décadas e assim fujo um pouco da atualidade que anda chata e carregada de maus presságios. Como dizia o Nei Lisboa nos bons tempos: "pra viajar no cosmos não preci...

Eu, Papa Francisco e Albert Camus.

Neca e eu passávamos uma semana em Buenos Aires quando Jorge Bergólio foi eleito Papa Francisco uns dias antes. Era o assunto na cidade inteira. No restaurante, na feira de rua, nos cafés e até nos cemitérios. E o taxista folgado que nos levava até a Feira de San Telmo: - Cómo usted se siente depués que Dieguito superó a Pelé, ahora habrá que rezarle a un Papa Argentino? - Menos mal que sou agnóstico e nunca gostei de futebol. Risadas gerais, afinal como debater com um portenho possuído por tanta emoção. Doze anos se passaram, nunca mais estive na encantadora Buenos Aires e o Papa Francisco luta para seguir sua missão, mas vê São Pedro abrindo aquela porta famosa e o convidando a entrar. Aprendi a gostar e admirar este jesuíta carismático, inteligente, bem humorado e líder reformador do pontificado. Neste meio tempo realmente me tornei agnóstico, ou seja acho difícil crer em Deus mas não nego a possibilidade de que exista. Passei para o time dos existencialistas quando descobri o almof...

Ainda Estou Aqui

Com minhas desculpas ao Marcelo Rubens Paiva e ao Walter Salles, me utilizo do título do livro/filme tão em pauta nestes dias que antecedem a entrega do Oscar, para marcar meu retorno à rotina de escrever no meu blog. Foi difícil voltar. A poeira cobriu tudo com grossas camadas e para deixar o ambiente limpo, arejado e propício para este retorno foi preciso uma determinação férrea e uma coerência refletida, qual seja a de retomar o antigo blog e seguir a partir dele, porque o hiato de tempo sumido foi grande, parecia definitivo mas não foi e, ao retomar as crônicas quero preservar o que eu já havia feito. Os tempos mudaram, eu mudei em muitos aspectos, mas ainda sou a mesma pessoa, esta é a coerência que desejo preservar. A grande novidade é que neste ínterim, eu envelheci, não como metáfora mas como fato da vida. Escrevi minhas últimas crônicas aos cinquenta e poucos anos, retorno agora já bem próximo dos setenta, antes em plena atividade profissional e morando em Porto Alegre, agora ...

Chamem David!

Afora ser um dos maiores talentos da pintura francesa de todos os tempos, Jacques Louis David foi sem dúvida o de maior presença nos eventos que mexeram com a vida dos franceses entre a Revolução Francesa e o Império de Napoleão Bonaparte. Um talento que sobreviveu ao seu tempo, mas sob um crivo mais severo: um artista chapa branca. Capaz de aderir a qualquer governo ou ideologia. David retratou as batalhas e símbolos dos anos de afirmação da Revolução Francesa, tão importante que quando alguma coisa espetacular estava por acontecer e merecia um registro pictórico, alguém do núcleo de Robespierre bradava: “chamem David!”. Retratou a morte de Jean Marat de forma esplêndida e, de um jeito que só ele sabia fazer, escapou da guilhotina quando seu protetor Robespierre foi condenado. Caiu nas graças de Napoleão e virou o pintor oficial do novo imperador. Seguiu sendo o pintor oficial da França até que Luís XVIII, irmão do decapitado Luís XVI, assumiu o comando da nação após o e...

Flanando

Paris a pé. Nada mais natural do que andar a pé na capital francesa, tanto que eles criaram uma palavra para o praticante desta modalidade de deslocamento, o flâneur. A cidade histórica tem um diâmetro aproximado de 11 quilômetros, sendo um pouco mais longa no sentido leste/oeste e um pouco mais curta na direção sul/norte. Para quem chega pela primeira vez o que tira o fôlego não são as distâncias, mas a beleza que está em qualquer ponto para onde se dirija o olhar. Caminhar em Paris é como estar dentro de uma obra de arte arquitetônica sem similares, pois não se trata de um bairro que preserva as características de 200 anos ou mais, é uma cidade inteira. O traçado principal do fluxo de automóveis e dos quarteirões habitacionais ainda é o mesmo legado por Napoleão III e o Barão Hausmann no tempo das carruagens, afora isso existem vias ainda mais antigas, medievais. Tudo com um suporte poderoso de tecnologias que tratam esgotos e canalizam redes elétricas, telefônicas e gás. ...

O bosque dos imortais.

Há quem goste de explorar cemitérios históricos, eu inclusive. O Père Lachaise é, provavelmente, o campo santo [sempre gostei desta expressão para designar cemitério] mais famoso do mundo e aquele que concentra a maioria de grandes nomes desde o Século XIX até os dias de hoje. Fica a leste de Paris, no 20º arrondissement, com várias estações de metrô nas suas imediações, ou aproximadamente 50 minutos de caminhada partindo do marco zero da cidade, na Île de la Cité, em frente da Catedral Notre-Dame. Bem verdade que ele tem um concorrente importante do outro lado do Rio Sena, o Cemitério de Montparnasse, onde ficam os túmulos de Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Charles Baudelaire, Marguerite Duras e Serge Gainsbourg, entre outros. Mesmo assim, o plantel do Père Lachaise é imbatível. Caminhando pelas suas alamedas arborizadas e adentrando nos seus caminhos mais íntimos, o visitante vai se deparando com a morada eterna de gente como Chopin, Balzac, Proust, Delacroix, Apo...

República do Marais

Passei minha vida administrando muito pouco dinheiro, quando não à beira da mais pura dureza, portanto nunca projetei muitas viagens que não fossem terrestres. Conheço pessoas que amam viajar, quanto mais melhor, e para lugares bem diversos dentro do país ou ao redor do planeta. São descolados, aventureiros e até esportistas, gente que habita aeroportos e hotéis nos quatro cantos do mundo. Muitos viajam por razões profissionais, de forma mais ou menos frequente, enfim é um povo acostumado às viagens, aos diversos climas e fuso-horários. No meu caso, toda viagem é uma tortura que inicia à medida que sua data aproxima. Sou entocado, gosto de ficar em casa e sair de automóvel por perto para voltar logo.  Detesto voar. Sem falar nas esperas em aeroportos. Mas se o destino for Paris, gasto meu último tostão e suporto tudo com resignação. Nos últimos cinco anos, por 17 dias anuais, o bairro do Marais é meu lar em Paris. Isto é simplesmente mágico, o velho casario da Rue Charl...

Ensaiando a ruptura

Maio de 1997. Hoje eu deveria estar comemorando meu quadragésimo segundo aniversário. Sei que meus amigos esperaram aquela chamada avisando do churrasco que deveria se iniciar lá pelas oito e meia da noite, também de que não deveriam levar presentes e sim alguma bebida para garantir a alegria etílica do encontro. Costumavam ser assim minhas comemorações nos últimos anos, nem lembro   quantos com essa turma. Mas desta vez, uma angústia difusa me fez sumir, já com alguns dias de antecedência. Rodei sem um destino definido, apontei o carro na direção das montanhas e depois de uns trezentos quilômetros, já exausto, parei na primeira pousada que avistei da estrada. Cravada em uma pequena elevação, a casa de madeira com alpendre simpático e três araucárias bem ao lado da porta principal, me pareceu adequada e silenciosa. Manobrei para o pequeno estacionamento com piso forrado de pedrinhas de basalto e escolhi uma vaga no abrigo simples tipo meia água, onde haviam dois c...

O ringue

Naqueles dias que fechavam a década de 1960 eu pouco sabia do que se passava nas grandes cidades. Ainda não havia tevê na minha casa e a cidade onde vivia era muito pouco conectada a Porto Alegre, exceto pelas viagens de ônibus que demoravam quase cinco horas para perfazer os cento e poucos quilômetros que separavam nosso cotidiano bucólico da agitação da capital. Haviam alguns poucos ricos que já tinham grandes propriedades de veraneio na serra e, nos breves contatos em que as crianças nativas podiam estabelecer com eles, nos falavam das belezas da metrópole e de suas viagens para terras estrangeiras em navios e aviões que cruzavam o oceano. Os dias eram longos e preenchidos com as aulas matinais, as tardes de trabalho na fábrica de camas para ajudar no orçamento doméstico, o futebol no campinho forrado de serragem de madeira e os passeios pelas matas próximas em busca de pinhão e à caça de passarinhos [naquela época os guris caçavam com suas fundas os pobres e desavisados sab...

Só falta você

Ê-ê-ê-ê, só falta você, capricha no samba pra gente vencer! Este era o refrão do samba enredo que o último bloco de carnaval do qual fiz parte, nos meus tempos de juventude e solteirice na cidade de Canela, levou para a competição de blocos do Clube Serrano. O tema escolhido foi Luzes da Ribalta, uma homenagem a Charles Chaplin, eu fui incumbido dos desenhos das alegorias e estandartes, além de atuar como Carlitos em uma cena especialmente feita para a apresentação no clube. Por algum motivo acho que exagerei na dramaticidade, era uma cena inspirada no filme O Garoto, interpretado pelo Paulo Rizzo, pois quando encerramos a performance (que incluía um violinista tocando Smile enquanto a bateria permanecia em silêncio), irromperam os aplausos mas as pessoas choravam copiosamente. Acho que ganhamos o prêmio de criatividade e inovação, mas foi o fim da minha vida de momo. Antes participei de um bloco chamado Inimigos do Ritmo, que assumidamente não era lá estas coisas com ritmo e mar...

A casca que nos protege

É provável que a história oficial da humanidade tenha entrado em uma nova era. O fim do período histórico anterior poderá ficar datado entre o surgimento da internet e o lançamento dos smartphones, a partir dos quais todas as barreiras da intercomunicação caíram definitivamente. Se isto de fato se comprovar, nossa geração está vivendo o início de um ciclo desconhecido, no qual tudo é possível, desde a confirmação das nossas melhores perspectivas [como viver mais de 100 anos em média] até o oposto radical [defrontarmos com um caos planetário em menos de um século]. Existem sinais claros que reforçam ambas possibilidades. Alea jacta est! Junto com este novo contexto, voltamos às lutas tribais nos países pobres, vivenciamos uma luta mortal entre o mundo civilizado e rico contra o mundo antigo, religioso e pobre. Aqui nos trópicos sul americanos a praga vem da falsidade perversa com que forjamos a nossas culturas nacionais, onde desejamos ser a Suécia mas praticamos uma polí...

Rue de Fleurus, 27.

Qual é a motivação principal para se fazer uma viagem? Durante a maior parte da minha vida eu tive a sensação de que não precisaria conhecer in loco nenhum lugar do mundo, porque minhas paisagens próprias e próximas me bastavam. O custo financeiro, os longos percursos, a mudança da alimentação e o afastamento da minha casa, dos meus bichos e das minhas rotinas, justificavam suficientemente o meu desinteresse em viajar. Além disto tudo, considerava que conhecer a história, a cultura e os costumes de cidades e nações, incluindo aí as minhas preferências, era uma viagem muito mais "real" ao ser realizada através da arte, especialmente da literatura e dos grandes escritores. Conjugando o texto vivo com obras audiovisuais, especialmente o cinema, e as boas reproduções gráficas das outras artes, bem catalogadas e legendadas, eu possuia o melhor conhecimento e a mais viva experiência sobre os aspectos mais relevantes de qualquer lugar, povo e suas idiossincrasias. Assim os p...

Aquela mulher

Para quem acha que Lady Di foi a personalidade mais incômoda na vida da corte inglesa, precisa conhecer a história de uma moça chamada Wallis Simpson. Ela já surgiu incendiando os tablóides ingleses quando apareceu namorando Edward VIII, sucessor do Rei George V, da Casa de Windsor, ou seja, da Família Real Inglesa. A má fama de Wallis provém da sua condição de mulher fatal, com relações políticas perigosas para sua época, a década de 1930 e o seu profuso contato com o undergroung londrino. Quando conheceu Edward, Wallis ainda era casada e carregava o sobrenome do maridão Ernest Simpson , na verdade ex, já privado daquele corpo esguio de longas pernas torneadas. Ela andava à solta pela noite da capital britânica, uma tribo de endinheirados devassos, nobres levados da breca, artistas, escritores e outros amantes do rendez-vouz sofisticado. O impacto da sua imagem ameaçadora sobre a classe alta inglesa, que amava o herdeiro do trono pela sua jovialidade, elegância e espor...